
Gostaria de ter jeito para escrever, conseguir traduzir por palavras todos os sentimentos que me vão na alma. Vou tentar...
O meu objectivo com este post, é sobretudo partilhar as minhas experiências, de modo que elas possam vir a ajudar alguem nas mesmas circunstâncias.
O título deste post é :"decisão dolorosa", e é isso mesmo do que se trata. Pensei que seria sempre capaz de cuidar da minha mãe, assim como minha mana, mas os anos de doença da nossa querida mãe com Alzheimer, pesam já sobre nós e sobre a nossa familia mais nuclear . No entanto, quando nos viramos para os apoios, estes escasseiam e temos de tomar decisões dificeis. Inscrevi-me para o Apoio Domiciliário (S. casa da Misericórdia), encontro-me em lista de espera; entretanto soube que havia os cuidados continuados, promovido pelo Centro de Saude e estou a aguardar que façam a avaliação; neste caso não se trata de um internamento definitivo mas temporário, de 3 meses, apenas para descanso do cuidador.
Vou transcrever algumas partes do Manual do Cuidador, da Associação dos doentes de Alzheimer, que julgo serem importantes como conselho para mim e para quem assim precisar.
" Página 178- Tente não fazr promessas que não possa cumprir
É importante que nunca diga categoricamente que não permitirá que a pessoa com demência seja levada para um lar. Poderá acontecer que em determinada fase da doença não consiga prestar os cuidados médicos necessários. (....)
Verifique logo que possível as várias possibilidades de lares
Como se trata de uma decisão dificil, pode ter tendência para a adiar tanto quanto possível, talvez até que seja inevitável. Nessa altura, poderá não ter tempo para analisar as várias possibilidades e as escolhas podem ser limitadas. assim, é melhor proceder a verificações logo que possível, mesmo que pense que não virá a ser necessário. (...) O melhor será visitar vários lares/instituições quando tiver de escolher, para verificar como estão organizados, falar com o pessoal e tentar determinar qual seria o mais conveniente. Se tiver tempo passe lá todo o dia. Será boa ideia fazer uma lista de pontos a considerar e de perguntas a fazer. Leve consigo uma lista e vá tomando notas para ter a certeza de que não se esquece de nada importante.
Tente controlar as suas emoções
Tomar a decisão de procurar um lar para o doente poderá ser uma das decisões mais dificeis que tenha de tomar. Poderá sentir-se culpado por não ter sido capaz de cuidar dele até ao fim em casa e sentir que o está a abandonar. Contudo, é importante ter presente que o que está a fazer é o melhor no interesse de todas as pessoas envolvidas. Embora de início seja difícil lidar com esta questão, a pessoa beneficiará dos cuidados profissionais prestados a tempo inteiro. Pense que poderá visitá-lo, uma vez que não está sujeito a um esforço tão grande. Poderá ser-lhe difícil ver o doente a ser tratado por outras pessoas e sentir-se, de algum modo, excluído. Por isso é tão importante visitá-lo regularmente e, se possível, ficar activamente envolvido nos cuidados a prestar-lhe. Poderá, por exemplo, assistir às horas das refeições, pentear-lhe o cabelo, dar-lhe de beber e ajudar a pô-lo mais confortável. Estará, assim, a ajudar o pessoal do lar e, ao mesmo tempo, a continuar a cuidar do seu doente".
Uma nota minha muito importante: Pedir a ajuda de Deus é essencial !
" Deus dá-nos a graça de aceitar com serenidade as coisas que não podem ser alteradas, coragem para alterar as coisas que têm de ser alteradas e sabedoria para distinguir uma da outra".
Dr. Reinhold Nieburh (1934).